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Como a produtividade da canola é construída?

A busca por uma safra lucrativa ganhou um aliado de peso.

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A canola (Brassica napus L. ssp. oleifera Moench) é uma oleaginosa de inverno resultante do melhoramento genético da colza. Seus grãos são bem concentrados em óleo (40% a 45%) amplamente utilizados para a produção de biodiesel e óleo para a alimentação humana, além de entregar ao pecuarista um farelo de alto teor proteico para a nutrição de ruminantes (TOMM, 2007).


A cultura vem ganhando forças, após 10 anos estagnada, a área semeada volta a crescer, ultrapassando 220.000 hectares semeados em 2025 no Brasil (CONAB; ABRASSCANOLA, 2025). Por ser uma cultura de clima temperado, a canola encontrou nas terras gaúchas o ambiente perfeito e uma adaptação natural para liderar esse mapa de expansão.


Para entender o sucesso dessa cultura por aqui, precisamos olhar para a sua impressionante versatilidade genética.

De um lado, temos as cultivares de inverno, predominantes na Europa, Ucrânia, Rússia e partes da China, semeadas antes do começo do inverno, sofrendo congelamento e posterior retomada do crescimento, e cultivares de canola de primavera, indicadas para os locais de menor latitude, as quais são utilizadas no Brasil, Índia, Canadá, Estados Unidos e partes da China (MORI; TOMM; FERREIRA, 2014).

Decifrando a fenologia

A cultura é centrada na eficiência de conversão energética e na adaptação ao ambiente. A lavoura inicia-se com a semente, depois formam-se folhas, caules, flores, vagens e novas sementes.


A duração de cada fase ou estádio de desenvolvimento é influenciado pelo híbrido, fertilidade, nutrição, umidade, temperatura do solo e do ar, fotoperíodo e intensidade da luz solar. Embora esse desenvolvimento seja um fluxo contínuo, dividi-lo em estádios específicos é o que permite ao produtor entrar com o manejo no momento certo (adequado para cada momento).


Germinação e emergência: O hipocótilo puxa os cotilédones para cima da superfície do solo. O ponto de crescimento fica entre os dois cotilédones. Enquanto a parte aérea busca a luz, a raiz principal desce verticalmente no perfil do solo, abrindo caminho para que as raízes secundárias e os pelos radiculares comecem a capturar água e os primeiros nutrientes essenciais.


Canola em fase cotiledonar.
Fonte: Arquivo pessoal.


Canola 1° folha verdadeira.
Fonte: https://www.canolacouncil.org/canola-encyclopedia/growth-stages/


2ª Folha: duas folhas totalmente expandidas.

Canola 2° folha verdadeira.
Fonte: https://www.canolacouncil.org/canola-encyclopedia/growth-stages/


4ª Folha: quatro folhas totalmente expandidas.

Canola 4° folha verdadeira.
Fonte: Mário Netto (2025).


6ª Folha: seis folhas totalmente expandidas.

Canola 6° folha verdadeira.
Fonte: https://www.canolacouncil.org/canola-encyclopedia/growth-stages/


Fases reprodutivas da canola.
Fonte: Indicações Técnicas da Canola, Nufarm (2025).


Roseta: as folhas se organizam rente ao solo formando uma “roseta”.

Canola em fase de roseta.
Fonte: Mario Netto (2025).


Alongamento do caule: começa com expansão foliar e formação dos botões florais.

Canola na fase de alongamento do caule e desenvolvimento de botões florais.
Fonte: Mário Netto (2025).


Início da floração: menos de 10 flores abertas na haste principal.

Canola início do florescimento.
Fonte: Mário Netto (2025).


10% Floração: 10% das flores estão abertas na haste principal.

30% Floração: 30% das flores abertas na haste principal.

50% Floração: 50% das flores abertas na haste principal.

Canola 50% florescida.
Fonte: Mário Netto (2025).


90% Floração: 90% das flores abertas na haste principal.

Canola 90% florescida e com formação de síliquas.
Fonte: Mário Netto (2025).


Início da maturação: as síliquas mudam de amarelo para marrom.

Síliquas com maturação desuniforme.
Fonte: Mário Netto (2025).


Final da maturação: as sementes estão maduras e perdendo umidade.

Canola dessecada em fase de colheita.
Fonte: Mário Netto (2025).


Além do visual, o que realmente define o seu resultado?

Acompanhar visualmente as fases fenológicas da canola é o primeiro passo para o planejamento da safra, mas o rendimento final depende da capacidade do produtor de intervir com o manejo correto no momento exato.

  • Arranjo Espacial: O ajuste de espaçamento e a densidade de semeadura são decisivos para o fechamento uniforme do dossel e interceptação de luz solar.


  • Nutrição de Plantas: A canola apresenta alta exigência nutricional e responde diretamente à fertilidade do solo.

Nitrogênio (N): É o principal motor do crescimento vegetativo, atuando na formação de aminoácidos, proteínas e na síntese de clorofila para manter a capacidade fotossintética ativa.

Enxofre (S): Essencial para a síntese de proteínas e diretamente relacionado ao incremento do teor de óleo nos grãos, impactando o valor industrial da colheita.

Boro (B): Atua diretamente no crescimento do tubo polínico. O suprimento adequado de boro é indispensável para garantir a fertilização das flores e evitar o abortamento de estruturas reprodutivas.


  • Fatores Climáticos: Atenção a geadas em fases críticas (canola na fase cotiledonar e enchimento de grãos) que podem causar impactos na produtividade, além de chuva excessiva ou granizo.


  • Manejo Fitossanitário: No complexo de doenças, a atenção deve se concentrar no controle preventivo da canela-preta (Leptosphaeria maculans) e da alternária (alternaria spp.) Entre as pragas, o monitoramento constante da traça-das-crucíferas, vaquinha, indiamin e pulgão é essencial para evitar quebras severas na produtividade.



  • Manejo de Plantas daninhas: A canola é sensível à competição nos estádios iniciais. O sucesso do controle começa na escolha de uma área livre de plantas daninhas, manejo de dessecação e manejo pós estabelecimento da cultura, evitando a competição com plantas daninhas.


  • Atividade Fotossintética: Aproximadamente 90% do acúmulo total de matéria seca na parte aérea da canola provém diretamente da atividade fotossintética. O Índice de Área Foliar (IAF) é determinante que dita a capacidade real da lavoura de interceptar a radiação solar disponível e convertê-la em estruturas produtivas.


  • Exigências Térmicas: A temperatura do ar é o principal fator regulador da velocidade do ciclo da canola. A temperatura ótima está em torno de 20 °C. Temperaturas acima de 25 °C durante a fase de florescimento provocam o abortamento imediato de flores e síliquas em formação, causando perdas diretas no rendimento.


  • Necessidades Hídricas: A planta requer entre 300 e 500 mm de água por ciclo. O período mais crítico para o défice hídrico é o florescimento, que pode reduzir drasticamente o número de síliquas e grãos.


  • Caule principal: atinge de 30-60% do comprimento máximo pouco antes da floração, sendo que de 30-60% da produção total de matéria seca terá ocorrido neste momento, dependendo das condições ambientais.


  • Crescimento Indeterminado: tem o florescimento e a maturação dos grãos iniciados de baixo para cima, além disso permite a floração e o desenvolvimento de síliquas simultaneamente, o que ajuda a compensar perdas por geadas precoces, mas gera uma maturação desuniforme.



Principais Componentes de Rendimento

O rendimento final de grãos é determinado pela interação de quatro componentes principais (Coimbra et al., 2004):


  1. População de plantas: O estabelecimento do estande por unidade de área é o fator base para a construção do rendimento. A canola compensa populações baixas, mas o rendimento máximo é geralmente obtido com cerca de 40 plantas/m².

  2. Número de síliquas por planta: Este é estatisticamente considerado o componente de rendimento mais impactante na cultura, pois define a capacidade de armazenamento de grãos.

  3. Número de grãos por síliqua: Depende diretamente do sucesso da fertilização e da ausência de estresses térmicos ou hídricos durante a formação das sementes.

  4. Massa de mil grãos (MMG): Geralmente varia entre 3,0 e 6,0 g. Esse índice reflete a eficiência e a duração do período de enchimento de grãos.

A produtividade final da canola, portanto, não deve ser vista como o resultado de um fator isolado, mas sim como a interação dinâmica e o sincronismo entre os três pilares: o potencial genético do híbrido, as condições ambientais da safra e a densidade e uniformidade de plantas estabelecidas no campo através do manejo fitotécnico.


REFERÊNCIAS:

BANDEIRA, Taiane Pettenon.Ecofisiologia da canola Hyola 61 sob variações no arranjo de plantas. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2013.

CANOLA COUNCIL OF CANADA. Canola Growth Stages. Disponível em: https://www.canolacouncil.org/canola-encyclopedia/growth-stages/. Acesso em: 15 mai. 2026

COIMBRA, J. L. M.; GUIDOLIN, A, F.; ALMEIDA, M. L.; SANGOI, L.; ENDER, M.; MEROTO, A. Análise de trilha dos componentes do rendimento de grãos em genótipos de canola. Ciência Rural, Santa Maria, v. 34, n. 5. 2004. p.1421-1428.

DURIGON, Miria Rosa. Caracterização fisiológica e agronômica de híbridos de canola resistentes a herbicidas triazinas ou imidazolinonas. Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2016.

DEUS, Vitor José Matias de.Influência da temperatura na emergência de plântulas de canola. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Agronomia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020.

FLOSS, Luiz Gustavo.Apresentação CANOLA e outras brássicas: fisiologia e manejo. Grupo FLOSS, 2026.

MORI, C.; TOMM, G. O.; FERREIRA, P. E. P. Aspectos econômicos e conjunturais da cultura da canola no mundo e no Brasil. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2014. 36 p. (Documentos online, 149). Disponível em: http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do149.htm. Acesso em: 17 maio 2026.

QUEIROGA, Vicente de Paula et al. (Eds.)Sistema Produtivo da Canola (Brassica napus L. ssp. oleifera Moench). Capítulo I. [Embrapa], 2023.

TOMM, Gilberto Omar. Cultivo de canola. Embrapa Trigo, nov. 2007. Sistemas de Produção. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/850380/1/ID385812003FL7469canola.pdf: Acesso em: 15 mai. 2026.

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