A cultura apresenta boa adaptação ao clima frio e entra como uma nova alternativa de rotação de culturas como soja, milho e trigo, auxiliando na quebra do ciclo de doenças e na melhoria da estrutura do solo. Além do uso na produção de óleo comestível e biocombustíveis, a canola possui elevado valor comercial e agronômico, tornando-se uma opção estratégica para diversificação das propriedades rurais.
Apesar do bom potencial produtivo, o desenvolvimento inicial da cultura exige atenção, pois a canola é mais sensível ao ataque de pragas nas primeiras fases do ciclo. Nesse período, danos causados por insetos podem comprometer o estabelecimento da lavoura, reduzir o stand de plantas e impactar diretamente a produtividade, tornando o monitoramento e o manejo preventivo fundamentais para o sucesso da cultura.
O problema pode estar no solo
Os corós, principalmente as espécies Diloboderus abderus (Figura 1A) e Phyllophaga triticophaga (Figura 1B), estão entre as principais pragas de solo da canola.
As larvas atacam o sistema radicular das plantas, causando morte de plântulas, redução do stand e falhas na lavoura. Como a canola possui baixa capacidade de recuperação radicular no início do ciclo, áreas com histórico de infestação devem ser evitadas, especialmente quando houver mais de cinco corós por metro quadrado.
Outra praga importante é a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), que corta a haste das plântulas próximas ao solo, provocando a morte das plantas e comprometendo o estabelecimento inicial (stand) da cultura. Nesse sentido, é indispensável o monitoramento e a utilização de inseticidas na dessecação e no preparo da área para a semeadura da canola (Figura 1C).
Principais pragas da parte aérea
As formigas cortadeiras, como saúvas (Atta spp.) e quenquéns (Acromyrmex spp.), são os primeiros insetos a causar danos severos, tornando essencial o monitoramento principalmente nas primeiras semanas após a semeadura (Figura 1D).
A traça-das-crucíferas (Plutella xylostella) é considerada a principal praga da canola no Rio Grande do Sul. O inseto pode atacar a cultura durante todo o ciclo, desde a fase de plântula até o enchimento de grãos. Temperaturas elevadas e clima seco favorecem o aumento populacional da praga, exigindo monitoramento frequente durante o desenvolvimento vegetativo e a floração (Figura 1E).
A vaquinha ou patriota (Diabrotica speciosa) também merece atenção, principalmente entre a fase cotiledonar e o estádio de 2 a 3 folhas. Os adultos provocam perfurações nos cotilédones e nas folhas jovens, reduzindo a área foliar e comprometendo o arranque inicial da cultura (Figura 1F). Outra espécie observada em lavouras de canola é Lagria villosa, cujas larvas e adultos causam desfolha em pecíolos e folhas das plântulas, afetando o desenvolvimento inicial das plantas.
Os pulgões, como o pulgão-verde (Myzus persicae) e o pulgão-da-couve (Brevicoryne brassicae), também estão associados à cultura da canola (Figura 1G). Além dos danos por sucção de seiva, esses insetos preocupam pela transmissão de viroses, como o Vírus do Mosaico do Nabo (TuMV), que pode reduzir significativamente a produtividade da lavoura.
FIGURA 1: Principais pragas da cultura da canola.

Fonte: Adaptado de Pereira e Salvadori (2021) Ferreira (2015) Guimarães et al. (2022) Michereff e Michereff Filho (2021) Marsaro Júnior (2015,2016).
O planejamento deve estar focado na prevenção
O manejo de pragas na canola deve começar antes mesmo da semeadura, com o uso de tratamento de sementes e avaliação do histórico da área. Nessa fase de estabelecimento e desenvolvimento inicial da canola, o monitoramento da lavoura deve ser feito constantemente.
Esse monitoramento constante permite identificar o início das infestações e tomar a melhor decisão com relação a estratégias de manejo, reduzindo perdas no desenvolvimento e na produtividade. Por isso, o acompanhamento técnico é uma peça fundamental para o correto manejo fitossanitário da cultura. Esse suporte profissional faz toda a diferença no campo.
Texto escrito por Gabrielly dos Passos Morigi e Larissa Lindenmayr, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM, campus de Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial – PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.
REFERÊNCIAS
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