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Adubação nitrogenada do milho: como planejar o manejo para reduzir perdas em anos chuvosos

Excesso de água no solo pode aumentar o risco de perdas de nitrogênio e reduzir o aproveitamento do nutriente pelas plantas

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O planejamento da adubação nitrogenada é uma etapa importante para o desempenho da cultura do milho. Em safras com ocorrência frequente de chuvas, esse manejo exige atenção adicional, pois o excesso de água no solo pode aumentar o risco de perdas de nitrogênio e reduzir o aproveitamento do nutriente pelas plantas. Nesse cenário, considerar as condições do solo, a previsão meteorológica e o momento da aplicação são fundamentais para melhorar a eficiência da adubação.


Nesse contexto, a adubação nitrogenada em cobertura merece atenção especial. O nitrogênio está entre os nutrientes de maior demanda pelo milho e pode ser perdido por diferentes processos no sistema solo-planta (Coelho et al., 2006) e isso, é ainda mais desafiador em períodos de elevada precipitação, quando a lixiviação pode comprometer a disponibilidade do nutriente para as plantas.

 

O que muda em anos chuvosos?

Em anos com elevada precipitação, o manejo do nitrogênio exige atenção adicional. Após a aplicação em cobertura, a ureia passa por transformações no solo e parte do nitrogênio é convertida em formas amoniacais e, posteriormente, em nitrato (NO??), uma forma bastante móvel no perfil. Quando ocorrem chuvas, o nitrato pode ser deslocado para camadas mais profundas, ficando abaixo da região de maior exploração das raízes. Esse processo é conhecido como lixiviação e pode reduzir a disponibilidade do nutriente para a cultura, especialmente em solos arenosos e com maior drenagem. Em situações de encharcamento, também podem ocorrer perdas por desnitrificação.

Por isso, a eficiência da adubação nitrogenada depende não apenas da dose aplicada, mas também do momento da aplicação, das condições meteorológicas e das características do solo.

Fonte: Nutrisafras

Como reduzir as perdas por lixiviação?

Embora não seja possível eliminar completamente as perdas de nitrogênio, algumas estratégias de manejo podem aumentar o aproveitamento do nutriente pela cultura e reduzir sua exposição aos processos de perda.


Uma das principais recomendações é planejar a aplicação da adubação de cobertura considerando a previsão meteorológica. No caso da ureia, chuvas leves após a aplicação favorecem sua incorporação ao solo, reduzindo perdas por volatilização. Por outro lado, eventos de precipitação excessiva exigem atenção, principalmente quando parte do nitrogênio já se encontra na forma de nitrato, pois o movimento da água para camadas mais profundas pode carregar esse nutriente para fora da região de maior exploração das raízes, aumentando o risco de lixiviação (Cantarella, 2007).

 

Outra estratégia que pode contribuir para reduzir o risco de perdas é o parcelamento da adubação nitrogenada. Essa prática tende a ser especialmente importante em solos de textura arenosa, em situações de maior volume de chuva ou quando são utilizadas doses mais elevadas de nitrogênio. Ao distribuir a aplicação ao longo do desenvolvimento da cultura, reduz-se a quantidade de N exposta de uma só vez às condições favoráveis às perdas, favorecendo o aproveitamento do nutriente pelo milho (Coelho et al., 2006).


As características do solo também devem ser consideradas no planejamento da adubação nitrogenada. Solos com textura mais arenosa apresentam menor capacidade de retenção de água e maior suscetibilidade ao deslocamento do nitrato no perfil do solo, aumentando o risco de perdas por lixiviação.

 

As características do solo também influenciam a dinâmica do nitrogênio. Solos com maior teor de argila geralmente apresentam maior capacidade de retenção de água, enquanto sistemas de manejo que favorecem a manutenção da matéria orgânica, da cobertura e da estrutura do solo contribuem para a ciclagem de nutrientes (CQFS-RS/SC, 2016). Sempre que possível, manter culturas comerciais ou plantas de cobertura ocupando a área durante a entressafra também favorece essa ciclagem e reduz os períodos em que o solo permanece descoberto. Mesmo nessas condições, volumes elevados de chuva podem provocar perdas de nitrogênio.

 

Em determinadas situações, fertilizantes nitrogenados associados a tecnologias como inibidores de urease ou de nitrificação podem fazer parte da estratégia de manejo. Os inibidores de urease atuam principalmente na redução do risco de volatilização da ureia, enquanto os inibidores de nitrificação retardam a formação de nitrato, reduzindo sua exposição a processos de perda em determinadas condições. A resposta a essas tecnologias depende da fonte de nitrogênio, das características do solo, das condições meteorológicas e do custo da prática. Por isso, sua utilização deve ser avaliada de acordo com cada sistema de produção (Clemente et al., 2019).

Planejamento é a melhor estratégia

Em períodos de muita chuva, definir apenas a dose de nitrogênio não é suficiente. O momento da aplicação, as características do solo, a fonte utilizada e a previsão meteorológica devem fazer parte do planejamento para melhorar o aproveitamento do nutriente e reduzir o risco de perdas.

Como destacado na matéria "Adubação nitrogenada em milho: momento e quantidades", publicada anteriormente no Triblog da 3tentos, o nitrogênio é o nutriente mais acumulado e exportado pela cultura do milho, sendo essa cultura altamente responsiva a esse nutriente. Entretanto, para que esse nutriente seja efetivamente aproveitado, sua aplicação deve ser realizada no momento de maior demanda da cultura e de acordo com as condições do ambiente, evitando perdas e aumentando a eficiência da adubação. 


Reduzir as perdas de nitrogênio depende da integração entre fonte, dose, momento de aplicação, condições do solo e previsão meteorológica. Quanto melhor for esse planejamento, maior será a possibilidade de disponibilizar o nutriente no período de maior demanda do milho e melhorar a eficiência da adubação.


Texto escrito por Luani Aparecida Calegari e Lucinara Pinto Camara, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM campus Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial - PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.



Referências

COELHO, A. M.; FRANÇA, G. E.; PITTA, G. V. E. et al. Fertilidade de solos e adubação do milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2006. (Circular Técnica).

CANTARELLA, H. Nitrogênio. In: NOVAIS, R. F. et al. (Org.). Fertilidade do Solo. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. p. 375-470.

COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC (CQFS-RS/SC). Manual de calagem e adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 11. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo – Núcleo Regional Sul, 2016.

CLEMENTE, R. A. et al. Produtividade do milho cultivado sob diferentes doses de ureia e uso de inibidores de nitrificação e uréase. 2020.

3tentos. Adubação nitrogenada em milho: momento e quantidades. Triblog 3tentos. Disponível em: https://www.3tentos.com.br/triblog/post/148. Acesso em: 27 jun. 2026.

 

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