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Manejo do azevém no trigo: estratégias do pré ao pós-emergente

Impactos gerados por essa invasora podem chegar a uma redução entre 40% a 52% na produtividade de grãos

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No Rio Grande do Sul, a cultura do trigo enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, às condições de mercado e aos riscos climáticos, fatores que têm influenciado a decisão de cultivo nas últimas safras.

O azevém é a invasora mais problemática, devido à sua semelhança morfológica e fisiológica com o trigo, ambas competindo intensamente pelos mesmos recursos. Essa semelhança reduz drasticamente as opções de herbicidas que podem ser utilizados no seu manejo, assim favorecendo a persistência da invasora. 

Os impactos gerados por essa competição podem chegar a uma redução entre 40% a 52% na produtividade de grãos (FLECK; PAULITSCH, 1978), compromete a qualidade do trigo, eleva os custos operacionais e dificulta a colheita.

 

Quais fatores influenciam a eficiência do manejo do azevém no trigo?

 

O momento da intervenção é um dos principais fatores para o sucesso do manejo. Quanto mais avançado estiver o azevém, maior tende a ser a dificuldade de controle, principalmente em áreas com histórico de resistência.

O período crítico em que a cultura do trigo deve permanecer livre da interferência de plantas daninhas é durante o primeiro terço de seu desenvolvimento, pois é nesse intervalo que ocorre a redução mais acentuada da produtividade, e os danos causados são irreversíveis (Vargas; Bianchi, 2006). 

Conforme orientações técnicas da Embrapa, o manejo do azevém deve começar ainda antes da semeadura, com estratégias como dessecação antecipada, uso de herbicidas pré-emergentes registrados e rotação de mecanismos de ação, especialmente em áreas com histórico de resistência. (Embrapa, 2023). Embora esse período possa variar conforme o ambiente e a cultivar, o período crítico está entre 12 e 24 dias após a emergência do trigo ou os primeiros 50 dias em cultivares com ciclo mais longo.

No manejo pós-emergente, os melhores resultados geralmente são obtidos quando o azevém ainda está nos estádios iniciais, preferencialmente com três a quatro folhas e antes do perfilhamento, respeitando sempre a indicação de bula do herbicida utilizado. 

Nesse caso, máxima eficácia ocorre quando o azevém apresenta entre 2 e 4 folhas, ultrapassar esse estádio reduz drasticamente o potencial de controle, pois as plantas tornam-se mais tolerantes aos princípios ativos. Por isso, recomenda-se um manejo integrado que comece na pré-semeadura (dessecação) e utilize herbicidas pré-emergentes registrados para a cultura, respeitando as recomendações de uso e as condições necessárias para ativação do produto (Embrapa, 2023).

Plantas de azevém que emergem após os 35 dias da emergência do trigo, tendem a causar menos prejuízos diretos ao rendimento, pois a cultura já superou sua fase de maior sensibilidade competitiva (Vargas; Bianchi, 2006). Mesmo assim, essas plantas não devem ser ignoradas, já que podem produzir sementes, aumentar o banco de sementes no solo, dificultar a colheita e depreciar a qualidade do produto colhido.

De que forma solo, clima e adjuvantes podem intensificar a fitotoxicidade?

 

A fitotoxicidade é um conjunto de danos causados à cultura por herbicidas, variando de danos leves a severos, os quais podem ser intensificados por fatores climáticos, características do solo e uso de adjuvantes inadequados.

  • Condições climáticas: Possuem grande influência sobre a eficiência e a seletividade dos herbicidas pré-emergentes, destacando-se a ocorrência de chuvas intensas logo após a aplicação, o excesso de precipitação pode promover a lixiviação do herbicida no perfil do solo, deslocando o produto para regiões próximas ao sistema radicular do trigo, aumentando a absorção do herbicida pelas raízes. Em situações severas, podem ocorrer sintomas como clorose, redução do crescimento radicular, atraso no desenvolvimento vegetativo e até morte de plântulas.
     
  • Características do solo: As propriedades físicas e químicas do solo também influenciam, solos arenosos e com baixos teores de matéria orgânica apresentam menor capacidade de adsorção dos herbicidas, contendo maior quantidade do ingrediente ativo livre na solução do solo (Scheer et al., 2025). Em solos com maior teor de argila e matéria orgânica, a adsorção tende a ser maior. Esse comportamento, no entanto, varia conforme as características físico-químicas de cada ingrediente ativo.
     
  • Os adjuvantes, como surfactantes, espalhantes e óleos minerais, são frequentemente adicionados às caldas de pulverização para melhorar a cobertura e a absorção dos produtos. Entretanto, o uso inadequado desses componentes pode comprometer a seletividade dos herbicidas ao trigo, a intensificação da absorção foliar promovida pelos adjuvantes pode favorecer a entrada excessiva do herbicida nos tecidos vegetais, causando sintomas de queima foliar, necrose e redução do crescimento das plantas.

 

Como realizar o manejo químico eficiente do azevém no trigo?

 

Para o manejo em pré-emergência, podem ser utilizados herbicidas registrados para a cultura do trigo e para o controle do azevém, sempre considerando o histórico de resistência da área, as características do solo e as condições necessárias para a ativação do produto. Na dessecação pré-semeadura, herbicidas graminicidas também podem ser utilizados para o controle de plantas já emergidas. Entretanto, alguns inibidores da ACCase podem apresentar efeito residual sobre o trigo, por isso o intervalo entre a aplicação e a semeadura deve seguir rigorosamente as recomendações de bula e a orientação técnica.

No controle pós-emergente, o manejo deve ser realizado preferencialmente enquanto o azevém ainda está nos estádios iniciais de desenvolvimento e antes do perfilhamento, respeitando o estádio indicado para cada herbicida registrado. Entre as alternativas seletivas disponíveis para o trigo estão diferentes mecanismos de ação, incluindo inibidores da ALS e da ACCase. A escolha deve considerar o histórico de resistência da área, já que populações de azevém resistentes a esses mecanismos estão presentes em regiões produtoras do Sul do Brasil. Quando houver recomendação de adjuvante, seu uso deve seguir a bula do produto, contribuindo para melhorar características como cobertura, retenção e absorção da aplicação.

Figura 1 - Lavoura de trigo com azevém resistente (ao lado)
Fonte: Revista Cultivar


 

 

 

O sucesso no manejo do azevém depende diretamente do momento em que o controle é realizado, dessa forma, práticas como o uso de pré-emergentes, e rotação de mecanismos de ação tornam-se fundamentais para reduzir a pressão de seleção e evitar o avanço da resistência. 

Além disso, fatores ambientais e de manejo influenciam significativamente a ocorrência de danos na cultura.. Por isso, a escolha correta dos produtos, das doses e do momento de aplicação é indispensável para garantir segurança e eficiência no manejo. Em resumo, o manejo eficiente do azevém depende da integração entre controle químico, monitoramento da resistência e práticas culturais, garantindo maior sustentabilidade e viabilidade econômica para a cultura do trigo.

O sucesso no manejo do azevém depende diretamente do momento em que o controle é realizado, dessa forma, práticas como o uso de pré-emergentes, e rotação de mecanismos de ação tornam-se fundamentais para reduzir a pressão de seleção e evitar o avanço da resistência. 

Além disso, fatores ambientais e de manejo influenciam significativamente a ocorrência de danos na cultura.. Por isso, a escolha correta dos produtos, das doses e do momento de aplicação é indispensável para garantir segurança e eficiência no manejo. Em resumo, o manejo eficiente do azevém depende da integração entre controle químico, monitoramento da resistência e práticas culturais, garantindo maior sustentabilidade e viabilidade econômica para a cultura do trigo.

 

Texto escrito por Gustavo Pinheiro do Nascimento e Luani Aparecida Calegari, acadêmicos do curso de Agronomia da UFSM, campus em Frederico Westphalen, membros da empresa júnior AGR Jr. Consultoria Agronômica, sob acompanhamento da coordenadora, professora Dra. Gizelli Moiano de Paula.

 

Referências

FLECK, N. G.; PAULITSCH, R. J. Controle químico de azevém (Lolium multiflorum L.) na cultura do trigo. Planta Daninha, v. 1, n. 2, p. 30-37, 1978.

VARGAS, Leandro; BIANCHI, Mario Antonio. Manejo e controle de plantas daninhas em trigo.

InTrigo no Brasil. Passo Fundo: Embrapa Trigo, [s.d.]. p. 253-286.

ASTRO, T. A. et al. Controle químico de azevém resistente na pré-semeadura da cultura do trigo. Santa Maria: UFSM; BIOMONTE Pesquisa e Desenvolvimento, 2013.

COSSUL, Vitor. Eficiência de herbicidas pré e pós-emergentes no controle de azevém (Lolium multiflorum) na cultura do trigo. 2025. 111 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Agronomia) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Campus Ibirubá, Ibirubá, 2025.

EMBRAPA. Alternativas para controle de azevém resistente a herbicidas. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2023. 1 vídeo (4 min). Palestrante: Leandro Vargas. Disponível em: YouTube.

SCHEER, Felipe Augusto et alUso de herbicidas pré-emergentes no controle de azevém e seus efeitos sobre a cultura do trigo. Revista de Agronomia e Medicina Veterinária (RAMVI), v. 12, n. 2, p. 1-26, 2025.

 

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