Arroz irrigado: a importância do uso de herbicidas pré-emergentes
O manejo inicial da cultura é essencial para altos rendimentos, deve ser pensado como um um sistema que engloba planejamento e ações bem definidas.
Por Bernardo Fros Martini - Gerente da unidade 3tentos de Santa Maria/RS
Em 23 de agosto de 2021
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O arroz é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo. No Brasil, o Rio Grande do Sul é o maior estado produtor da cultura, com participação média de 70% na produção nacional, seguido por Santa Catarina.
A produtividade do arroz pode ser afetada por alguns fatores, tais como manejo inadequado de solo e água, incidência de plantas daninhas e sementes de baixa qualidade.
Quando o assunto é plantas daninhas, cada vez mais a aplicação de herbicidas em pré-emergência se torna uma alternativa rentável, já que propicia uma menor concorrência por água, nutrientes e luz desde o início do desenvolvimento da cultura.
Qual o momento ideal de aplicação?
O momento ideal de aplicação é o estádio S3, também conhecido como “ponto de agulha” das plantas de arroz. Para a escolha do pré-emergente e sua respectiva dose de utilização, levamos em conta o tipo de solo, época de semeadura, condição climática e histórico de plantas daninhas predominantes de cada área, bem como possíveis resistências a determinados grupos químicos.
O uso de pré-emergentes substitui o uso de herbicidas pós-emergentes?
O uso de pré-emergentes não substitui o uso de herbicidas pós-emergentes, apenas são responsáveis de entregar a lavoura com um menor número de plantas, os quais nos levam a obter um controle mais eficiente. Como podemos observar em uma lavoura já estabelecida:
O manejo deve ser pensado como um sistema de produção que engloba o uso de sementes certificadas, rotações de culturas bem planejadas, uso de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e uso correto dos pré-emergentes.
Conclusão:
Para obter sucesso na lavoura orizícola não existe uma prática isolada, que nos entregue uma lavoura livre de plantas daninhas e com alto potencial produtivo, e sim, a soma de ações bem pensadas. Atitudes planejadas nos entregam sustentabilidade, segurança e longevidade na atividade.
Excesso de água no solo pode aumentar o risco de perdas de nitrogênio e reduzir o aproveitamento do nutriente pelas plantas
O planejamento da adubação nitrogenada é uma etapa importante para o desempenho da cultura do milho. Em safras com ocorrência frequente de chuvas, esse manejo exige atenção adicional, pois o excesso de água no solo pode aumentar o risco de perdas de nitrogênio e reduzir o aproveitamento do nutriente pelas plantas. Nesse cenário, considerar as condições do solo, a previsão meteorológica e o momento da aplicação são fundamentais para melhorar a eficiência da adubação.
Nesse contexto, a adubação nitrogenada em cobertura merece atenção especial. O nitrogênio está entre os nutrientes de maior demanda pelo milho e pode ser perdido por diferentes processos no sistema solo-planta (Coelho et al., 2006) e isso, é ainda mais desafiador em períodos de elevada precipitação, quando a lixiviação pode comprometer a disponibilidade do nutriente para as plantas.
O que muda em anos chuvosos?
Em anos com elevada precipitação, o manejo do nitrogênio exige atenção adicional. Após a aplicação em cobertura, a ureia passa por transformações no solo e parte do nitrogênio é convertida em formas amoniacais e, posteriormente, em nitrato (NO??), uma forma bastante móvel no perfil. Quando ocorrem chuvas, o nitrato pode ser deslocado para camadas mais profundas, ficando abaixo da região de maior exploração das raízes. Esse processo é conhecido como lixiviação e pode reduzir a disponibilidade do nutriente para a cultura, especialmente em solos arenosos e com maior drenagem. Em situações de encharcamento, também podem ocorrer perdas por desnitrificação.
Por isso, a eficiência da adubação nitrogenada depende não apenas da dose aplicada, mas também do momento da aplicação, das condições meteorológicas e das características do solo.
Fonte: Nutrisafras
Como reduzir as perdas por lixiviação?
Embora não seja possível eliminar completamente as perdas de nitrogênio, algumas estratégias de manejo podem aumentar o aproveitamento do nutriente pela cultura e reduzir sua exposição aos processos de perda.
Uma das principais recomendações é planejar a aplicação da adubação de cobertura considerando a previsão meteorológica. No caso da ureia, chuvas leves após a aplicação favorecem sua incorporação ao solo, reduzindo perdas por volatilização. Por outro lado, eventos de precipitação excessiva exigem atenção, principalmente quando parte do nitrogênio já se encontra na forma de nitrato, pois o movimento da água para camadas mais profundas pode carregar esse nutriente para fora da região de maior exploração das raízes, aumentando o risco de lixiviação (Cantarella, 2007).
Outra estratégia que pode contribuir para reduzir o risco de perdas é o parcelamento da adubação nitrogenada. Essa prática tende a ser especialmente importante em solos de textura arenosa, em situações de maior volume de chuva ou quando são utilizadas doses mais elevadas de nitrogênio. Ao distribuir a aplicação ao longo do desenvolvimento da cultura, reduz-se a quantidade de N exposta de uma só vez às condições favoráveis às perdas, favorecendo o aproveitamento do nutriente pelo milho (Coelho et al., 2006).
As características do solo também devem ser consideradas no planejamento da adubação nitrogenada. Solos com textura mais arenosa apresentam menor capacidade de retenção de água e maior suscetibilidade ao deslocamento do nitrato no perfil do solo, aumentando o risco de perdas por lixiviação.
As características do solo também influenciam a dinâmica do nitrogênio. Solos com maior teor de argila geralmente apresentam maior capacidade de retenção de água, enquanto sistemas de manejo que favorecem a manutenção da matéria orgânica, da cobertura e da estrutura do solo contribuem para a ciclagem de nutrientes (CQFS-RS/SC, 2016). Sempre que possível, manter culturas comerciais ou plantas de cobertura ocupando a área durante a entressafra também favorece essa ciclagem e reduz os períodos em que o solo permanece descoberto. Mesmo nessas condições, volumes elevados de chuva podem provocar perdas de nitrogênio.
Em determinadas situações, fertilizantes nitrogenados associados a tecnologias como inibidores de urease ou de nitrificação podem fazer parte da estratégia de manejo. Os inibidores de urease atuam principalmente na redução do risco de volatilização da ureia, enquanto os inibidores de nitrificação retardam a formação de nitrato, reduzindo sua exposição a processos de perda em determinadas condições. A resposta a essas tecnologias depende da fonte de nitrogênio, das características do solo, das condições meteorológicas e do custo da prática. Por isso, sua utilização deve ser avaliada de acordo com cada sistema de produção (Clemente et al., 2019).
Planejamento é a melhor estratégia
Em períodos de muita chuva, definir apenas a dose de nitrogênio não é suficiente. O momento da aplicação, as características do solo, a fonte utilizada e a previsão meteorológica devem fazer parte do planejamento para melhorar o aproveitamento do nutriente e reduzir o risco de perdas.
Como destacado na matéria "Adubação nitrogenada em milho: momento e quantidades", publicada anteriormente no Triblog da 3tentos, o nitrogênio é o nutriente mais acumulado e exportado pela cultura do milho, sendo essa cultura altamente responsiva a esse nutriente. Entretanto, para que esse nutriente seja efetivamente aproveitado, sua aplicação deve ser realizada no momento de maior demanda da cultura e de acordo com as condições do ambiente, evitando perdas e aumentando a eficiência da adubação.
Reduzir as perdas de nitrogênio depende da integração entre fonte, dose, momento de aplicação, condições do solo e previsão meteorológica. Quanto melhor for esse planejamento, maior será a possibilidade de disponibilizar o nutriente no período de maior demanda do milho e melhorar a eficiência da adubação.
Texto escrito por Luani Aparecida Calegari e Lucinara Pinto Camara, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM campus Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial - PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.
Referências
COELHO, A. M.; FRANÇA, G. E.; PITTA, G. V. E. et al. Fertilidade de solos e adubação do milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2006. (Circular Técnica).
CANTARELLA, H. Nitrogênio. In: NOVAIS, R. F. et al. (Org.). Fertilidade do Solo. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. p. 375-470.
COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC (CQFS-RS/SC). Manual de calagem e adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 11. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo – Núcleo Regional Sul, 2016.
CLEMENTE, R. A. et al. Produtividade do milho cultivado sob diferentes doses de ureia e uso de inibidores de nitrificação e uréase. 2020.
Impactos gerados por essa invasora podem chegar a uma redução entre 40% a 52% na produtividade de grãos
No Rio Grande do Sul, a cultura do trigo enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, às condições de mercado e aos riscos climáticos, fatores que têm influenciado a decisão de cultivo nas últimas safras.
O azevém é a invasora mais problemática, devido à sua semelhança morfológica e fisiológica com o trigo, ambas competindo intensamente pelos mesmos recursos. Essa semelhança reduz drasticamente as opções de herbicidas que podem ser utilizados no seu manejo, assim favorecendo a persistência da invasora.
Os impactos gerados por essa competição podem chegar a uma redução entre 40% a 52% na produtividade de grãos (FLECK; PAULITSCH, 1978), compromete a qualidade do trigo, eleva os custos operacionais e dificulta a colheita.
Quais fatores influenciam a eficiência do manejo do azevém no trigo?
O momento da intervenção é um dos principais fatores para o sucesso do manejo. Quanto mais avançado estiver o azevém, maior tende a ser a dificuldade de controle, principalmente em áreas com histórico de resistência.
O período crítico em que a cultura do trigo deve permanecer livre da interferência de plantas daninhas é durante o primeiro terço de seu desenvolvimento, pois é nesse intervalo que ocorre a redução mais acentuada da produtividade, e os danos causados são irreversíveis (Vargas; Bianchi, 2006).
Conforme orientações técnicas da Embrapa, o manejo do azevém deve começar ainda antes da semeadura, com estratégias como dessecação antecipada, uso de herbicidas pré-emergentes registrados e rotação de mecanismos de ação, especialmente em áreas com histórico de resistência. (Embrapa, 2023). Embora esse período possa variar conforme o ambiente e a cultivar, o período crítico está entre 12 e 24 dias após a emergência do trigo ou os primeiros 50 dias em cultivares com ciclo mais longo.
No manejo pós-emergente, os melhores resultados geralmente são obtidos quando o azevém ainda está nos estádios iniciais, preferencialmente com três a quatro folhas e antes do perfilhamento, respeitando sempre a indicação de bula do herbicida utilizado.
Nesse caso, máxima eficácia ocorre quando o azevém apresenta entre 2 e 4 folhas, ultrapassar esse estádio reduz drasticamente o potencial de controle, pois as plantas tornam-se mais tolerantes aos princípios ativos. Por isso, recomenda-se um manejo integrado que comece na pré-semeadura (dessecação) e utilize herbicidas pré-emergentes registrados para a cultura, respeitando as recomendações de uso e as condições necessárias para ativação do produto (Embrapa, 2023).
Plantas de azevém que emergem após os 35 dias da emergência do trigo, tendem a causar menos prejuízos diretos ao rendimento, pois a cultura já superou sua fase de maior sensibilidade competitiva (Vargas; Bianchi, 2006). Mesmo assim, essas plantas não devem ser ignoradas, já que podem produzir sementes, aumentar o banco de sementes no solo, dificultar a colheita e depreciar a qualidade do produto colhido.
De que forma solo, clima e adjuvantes podem intensificar a fitotoxicidade?
A fitotoxicidade é um conjunto de danos causados à cultura por herbicidas, variando de danos leves a severos, os quais podem ser intensificados por fatores climáticos, características do solo e uso de adjuvantes inadequados.
Condições climáticas: Possuem grande influência sobre a eficiência e a seletividade dos herbicidas pré-emergentes, destacando-se a ocorrência de chuvas intensas logo após a aplicação, o excesso de precipitação pode promover a lixiviação do herbicida no perfil do solo, deslocando o produto para regiões próximas ao sistema radicular do trigo, aumentando a absorção do herbicida pelas raízes. Em situações severas, podem ocorrer sintomas como clorose, redução do crescimento radicular, atraso no desenvolvimento vegetativo e até morte de plântulas.
Características do solo: As propriedades físicas e químicas do solo também influenciam, solos arenosos e com baixos teores de matéria orgânica apresentam menor capacidade de adsorção dos herbicidas, contendo maior quantidade do ingrediente ativo livre na solução do solo (Scheer et al., 2025). Em solos com maior teor de argila e matéria orgânica, a adsorção tende a ser maior. Esse comportamento, no entanto, varia conforme as características físico-químicas de cada ingrediente ativo.
Os adjuvantes, como surfactantes, espalhantes e óleos minerais, são frequentemente adicionados às caldas de pulverização para melhorar a cobertura e a absorção dos produtos. Entretanto, o uso inadequado desses componentes pode comprometer a seletividade dos herbicidas ao trigo, a intensificação da absorção foliar promovida pelos adjuvantes pode favorecer a entrada excessiva do herbicida nos tecidos vegetais, causando sintomas de queima foliar, necrose e redução do crescimento das plantas.
Como realizar o manejo químico eficiente do azevém no trigo?
Para o manejo em pré-emergência, podem ser utilizados herbicidas registrados para a cultura do trigo e para o controle do azevém, sempre considerando o histórico de resistência da área, as características do solo e as condições necessárias para a ativação do produto. Na dessecação pré-semeadura, herbicidas graminicidas também podem ser utilizados para o controle de plantas já emergidas. Entretanto, alguns inibidores da ACCase podem apresentar efeito residual sobre o trigo, por isso o intervalo entre a aplicação e a semeadura deve seguir rigorosamente as recomendações de bula e a orientação técnica.
No controle pós-emergente, o manejo deve ser realizado preferencialmente enquanto o azevém ainda está nos estádios iniciais de desenvolvimento e antes do perfilhamento, respeitando o estádio indicado para cada herbicida registrado. Entre as alternativas seletivas disponíveis para o trigo estão diferentes mecanismos de ação, incluindo inibidores da ALS e da ACCase. A escolha deve considerar o histórico de resistência da área, já que populações de azevém resistentes a esses mecanismos estão presentes em regiões produtoras do Sul do Brasil. Quando houver recomendação de adjuvante, seu uso deve seguir a bula do produto, contribuindo para melhorar características como cobertura, retenção e absorção da aplicação.
Figura 1 - Lavoura de trigo com azevém resistente (ao lado) Fonte: Revista Cultivar
O sucesso no manejo do azevém depende diretamente do momento em que o controle é realizado, dessa forma, práticas como o uso de pré-emergentes, e rotação de mecanismos de ação tornam-se fundamentais para reduzir a pressão de seleção e evitar o avanço da resistência.
Além disso, fatores ambientais e de manejo influenciam significativamente a ocorrência de danos na cultura.. Por isso, a escolha correta dos produtos, das doses e do momento de aplicação é indispensável para garantir segurança e eficiência no manejo. Em resumo, o manejo eficiente do azevém depende da integração entre controle químico, monitoramento da resistência e práticas culturais, garantindo maior sustentabilidade e viabilidade econômica para a cultura do trigo.
O sucesso no manejo do azevém depende diretamente do momento em que o controle é realizado, dessa forma, práticas como o uso de pré-emergentes, e rotação de mecanismos de ação tornam-se fundamentais para reduzir a pressão de seleção e evitar o avanço da resistência.
Além disso, fatores ambientais e de manejo influenciam significativamente a ocorrência de danos na cultura.. Por isso, a escolha correta dos produtos, das doses e do momento de aplicação é indispensável para garantir segurança e eficiência no manejo. Em resumo, o manejo eficiente do azevém depende da integração entre controle químico, monitoramento da resistência e práticas culturais, garantindo maior sustentabilidade e viabilidade econômica para a cultura do trigo.
Texto escrito por Gustavo Pinheiro do Nascimento e Luani Aparecida Calegari, acadêmicos do curso de Agronomia da UFSM, campus em Frederico Westphalen, membros da empresa júnior AGR Jr. Consultoria Agronômica, sob acompanhamento da coordenadora, professora Dra. Gizelli Moiano de Paula.
Referências
FLECK, N. G.; PAULITSCH, R. J. Controle químico de azevém (Lolium multiflorum L.) na cultura do trigo. Planta Daninha, v. 1, n. 2, p. 30-37, 1978.
VARGAS, Leandro; BIANCHI, Mario Antonio. Manejo e controle de plantas daninhas em trigo.
In: Trigo no Brasil. Passo Fundo: Embrapa Trigo, [s.d.]. p. 253-286.
ASTRO, T. A. et al. Controle químico de azevém resistente na pré-semeadura da cultura do trigo. Santa Maria: UFSM; BIOMONTE Pesquisa e Desenvolvimento, 2013.
COSSUL, Vitor. Eficiência de herbicidas pré e pós-emergentes no controle de azevém (Lolium multiflorum) na cultura do trigo. 2025. 111 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Agronomia) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Campus Ibirubá, Ibirubá, 2025.
EMBRAPA. Alternativas para controle de azevém resistente a herbicidas. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2023. 1 vídeo (4 min). Palestrante: Leandro Vargas. Disponível em: YouTube.
SCHEER, Felipe Augusto et al. Uso de herbicidas pré-emergentes no controle de azevém e seus efeitos sobre a cultura do trigo. Revista de Agronomia e Medicina Veterinária (RAMVI), v. 12, n. 2, p. 1-26, 2025.
21 de julho de 2026
AGR Jr. Consultoria Agronômica, Empresa Júnior do Curso de Agronomia da UFSM Campus Frederico Westphalen
A canola (Brassica napus L.) é uma das principais oleaginosas produzidas no mundo e tem ganhado forte espaço na região Sul do Brasil como uma excelente alternativa de renda durante o outono/inverno.
A cultura apresenta boa adaptação ao clima frio e entra como uma nova alternativa de rotação de culturas como soja, milho e trigo, auxiliando na quebra do ciclo de doenças e na melhoria da estrutura do solo. Além do uso na produção de óleo comestível e biocombustíveis, a canola possui elevado valor comercial e agronômico, tornando-se uma opção estratégica para diversificação das propriedades rurais.
Apesar do bom potencial produtivo, o desenvolvimento inicial da cultura exige atenção, pois a canola é mais sensível ao ataque de pragas nas primeiras fases do ciclo. Nesse período, danos causados por insetos podem comprometer o estabelecimento da lavoura, reduzir o stand de plantas e impactar diretamente a produtividade, tornando o monitoramento e o manejo preventivo fundamentais para o sucesso da cultura.
O problema pode estar no solo
Os corós, principalmente as espécies Diloboderus abderus (Figura 1A) e Phyllophaga triticophaga (Figura 1B), estão entre as principais pragas de solo da canola.
As larvas atacam o sistema radicular das plantas, causando morte de plântulas, redução do stand e falhas na lavoura. Como a canola possui baixa capacidade de recuperação radicular no início do ciclo, áreas com histórico de infestação devem ser evitadas, especialmente quando houver mais de cinco corós por metro quadrado.
Outra praga importante é a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), que corta a haste das plântulas próximas ao solo, provocando a morte das plantas e comprometendo o estabelecimento inicial (stand) da cultura. Nesse sentido, é indispensável o monitoramento e a utilização de inseticidas na dessecação e no preparo da área para a semeadura da canola (Figura 1C).
Principais pragas da parte aérea
As formigas cortadeiras, como saúvas (Atta spp.) e quenquéns (Acromyrmex spp.), são os primeiros insetos a causar danos severos, tornando essencial o monitoramento principalmente nas primeiras semanas após a semeadura (Figura 1D).
A traça-das-crucíferas (Plutella xylostella) é considerada a principal praga da canola no Rio Grande do Sul. O inseto pode atacar a cultura durante todo o ciclo, desde a fase de plântula até o enchimento de grãos. Temperaturas elevadas e clima seco favorecem o aumento populacional da praga, exigindo monitoramento frequente durante o desenvolvimento vegetativo e a floração (Figura 1E).
A vaquinha ou patriota (Diabrotica speciosa) também merece atenção, principalmente entre a fase cotiledonar e o estádio de 2 a 3 folhas. Os adultos provocam perfurações nos cotilédones e nas folhas jovens, reduzindo a área foliar e comprometendo o arranque inicial da cultura (Figura 1F). Outra espécie observada em lavouras de canola é Lagria villosa, cujas larvas e adultos causam desfolha em pecíolos e folhas das plântulas, afetando o desenvolvimento inicial das plantas.
Os pulgões, como o pulgão-verde (Myzus persicae) e o pulgão-da-couve (Brevicoryne brassicae), também estão associados à cultura da canola (Figura 1G). Além dos danos por sucção de seiva, esses insetos preocupam pela transmissão de viroses, como o Vírus do Mosaico do Nabo (TuMV), que pode reduzir significativamente a produtividade da lavoura.
FIGURA 1: Principais pragas da cultura da canola.
Fonte: Adaptado de Pereira e Salvadori (2021) Ferreira (2015) Guimarães et al. (2022) Michereff e Michereff Filho (2021) Marsaro Júnior (2015,2016).
O planejamento deve estar focado na prevenção
O manejo de pragas na canola deve começar antes mesmo da semeadura, com o uso de tratamento de sementes e avaliação do histórico da área. Nessa fase de estabelecimento e desenvolvimento inicial da canola, o monitoramento da lavoura deve ser feito constantemente.
Esse monitoramento constante permite identificar o início das infestações e tomar a melhor decisão com relação a estratégias de manejo, reduzindo perdas no desenvolvimento e na produtividade. Por isso, o acompanhamento técnico é uma peça fundamental para o correto manejo fitossanitário da cultura. Esse suporte profissional faz toda a diferença no campo.
Texto escrito por Gabrielly dos Passos Morigi e Larissa Lindenmayr, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM, campus de Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial – PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.
A canola (Brassica napus L.) é uma das principais oleaginosas produzidas no mundo e tem ganhado forte espaço na região Sul do Brasil como uma excelente alternativa de renda durante o outono/inverno.
A cultura apresenta boa adaptação ao clima frio e entra como uma nova alternativa de rotação de culturas como soja, milho e trigo, auxiliando na quebra do ciclo de doenças e na melhoria da estrutura do solo. Além do uso na produção de óleo comestível e biocombustíveis, a canola possui elevado valor comercial e agronômico, tornando-se uma opção estratégica para diversificação das propriedades rurais.
Apesar do bom potencial produtivo, o desenvolvimento inicial da cultura exige atenção, pois a canola é mais sensível ao ataque de pragas nas primeiras fases do ciclo. Nesse período, danos causados por insetos podem comprometer o estabelecimento da lavoura, reduzir o stand de plantas e impactar diretamente a produtividade, tornando o monitoramento e o manejo preventivo fundamentais para o sucesso da cultura.
O problema pode estar no solo
Os corós, principalmente as espécies Diloboderus abderus (Figura 1A) e Phyllophaga triticophaga (Figura 1B), estão entre as principais pragas de solo da canola.
As larvas atacam o sistema radicular das plantas, causando morte de plântulas, redução do stand e falhas na lavoura. Como a canola possui baixa capacidade de recuperação radicular no início do ciclo, áreas com histórico de infestação devem ser evitadas, especialmente quando houver mais de cinco corós por metro quadrado.
Outra praga importante é a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), que corta a haste das plântulas próximas ao solo, provocando a morte das plantas e comprometendo o estabelecimento inicial (stand) da cultura. Nesse sentido, é indispensável o monitoramento e a utilização de inseticidas na dessecação e no preparo da área para a semeadura da canola (Figura 1C).
Principais pragas da parte aérea
As formigas cortadeiras, como saúvas (Atta spp.) e quenquéns (Acromyrmex spp.), são os primeiros insetos a causar danos severos, tornando essencial o monitoramento principalmente nas primeiras semanas após a semeadura (Figura 1D).
A traça-das-crucíferas (Plutella xylostella) é considerada a principal praga da canola no Rio Grande do Sul. O inseto pode atacar a cultura durante todo o ciclo, desde a fase de plântula até o enchimento de grãos. Temperaturas elevadas e clima seco favorecem o aumento populacional da praga, exigindo monitoramento frequente durante o desenvolvimento vegetativo e a floração (Figura 1E).
A vaquinha ou patriota (Diabrotica speciosa) também merece atenção, principalmente entre a fase cotiledonar e o estádio de 2 a 3 folhas. Os adultos provocam perfurações nos cotilédones e nas folhas jovens, reduzindo a área foliar e comprometendo o arranque inicial da cultura (Figura 1F). Outra espécie observada em lavouras de canola é Lagria villosa, cujas larvas e adultos causam desfolha em pecíolos e folhas das plântulas, afetando o desenvolvimento inicial das plantas.
Os pulgões, como o pulgão-verde (Myzus persicae) e o pulgão-da-couve (Brevicoryne brassicae), também estão associados à cultura da canola (Figura 1G). Além dos danos por sucção de seiva, esses insetos preocupam pela transmissão de viroses, como o Vírus do Mosaico do Nabo (TuMV), que pode reduzir significativamente a produtividade da lavoura.
FIGURA 1: Principais pragas da cultura da canola.
Fonte: Adaptado de Pereira e Salvadori (2021) Ferreira (2015) Guimarães et al. (2022) Michereff e Michereff Filho (2021) Marsaro Júnior (2015,2016).
O planejamento deve estar focado na prevenção
O manejo de pragas na canola deve começar antes mesmo da semeadura, com o uso de tratamento de sementes e avaliação do histórico da área. Nessa fase de estabelecimento e desenvolvimento inicial da canola, o monitoramento da lavoura deve ser feito constantemente.
Esse monitoramento constante permite identificar o início das infestações e tomar a melhor decisão com relação a estratégias de manejo, reduzindo perdas no desenvolvimento e na produtividade. Por isso, o acompanhamento técnico é uma peça fundamental para o correto manejo fitossanitário da cultura. Esse suporte profissional faz toda a diferença no campo.
Texto escrito por Gabrielly dos Passos Morigi e Larissa Lindenmayr, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM, campus de Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial – PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.
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